Olá caros leitores. Hoje debato neste blog um assunto de enorme sensibilidade, a meu ver, e que levanta grandes polémicas e discussões principalmente de ordem ética todos os dias. Este assunto é a reprodução humana. Um assunto que está também ele, por incrível que possa parecer, a ser abalado pelas evoluções científicas que surgem de ano para ano, já desde o século passado.
Há 100 anos atrás, este texto seria impossível, a reprodução era vista de forma mais simplista e óbvia. O ritual sempre o mesmo, nessa tentativa quase desesperada do Homem se reproduzir, a cópula, o único meio para o Homem se reproduzir.
Há uns dias numa palestra muito elucidativa pelas minhas terras, ouvi uma frase que me ficou no tímpano, e que consistia no facto de que num futuro próximo as pessoas iriam definir cópula como “uma coisa que as pessoas antigas faziam para ter filhos”. Estas palavras deram-me uma nova claridade de certos fenómenos que se andam a passar todos os dias no mundo em que vivo. O mundo está a mover-se a 1000km/h, e mesmo aspectos primitivos como a nossa reprodução estão a sofrer grandes alterações.
Existe uma série de factores importantes, que acho ser necessário focar, e para começar é importante referir que a taxa de infertilidade biológica no ser Humano é cada vez maior, ou seja, cada vez mais Homens ou Mulheres não têm capacidade biológica para conceber um novo ser. Os factores para isto acontecer… não me perguntem, eu apenas faço uma ideia de quais possam ser, mas é claro que não sei exactamente, nem tão pouco sei se alguém sabe.
Tendo em conta este crescente da infertilidade e relacionando este facto com a enorme evolução cientifica dos últimos 50 anos, tal como era esperado, hoje em dia, já existem várias soluções que tentam “lutar” contra a mãe-natureza. Hoje em dia, qualquer pessoa que tenha um problema a nível de gâmetas, pode recorrer a um banco de espermatozóides ou de óvulos. Surge aqui a tão falada fecundação “In Vitro”, ou seja, a reprodução concebida em puro laboratório científico. Outro “fenómeno” a que podemos observar nos dias que correm são as curiosas, mas bem verdadeiras barrigas-de-aluguer. Neste caso “aluga-se um útero”, isto é… uma mulher deseja ter um filho, mas não o quer “carregar” durante 9 meses no seu útero até ao seu nascimento. Como resolver este problema? Fácil… Realiza uma fecundação “in vitro”, e escolhe uma outra pessoa para carregar o seu filho até este nascer. Claro que este processo requer custos, e a senhora terá que pagar, e pagar bem, à pessoa que fizer de barriga-de-aluguer. No fundo ficam a ganhar as duas senhoras, uma delas fica a ganhar economicamente e a outra fica a ganhar porque vai ter um filho sem ficar grávida. Outro aspecto curioso é que já existem homens com filhos, sem que estes tenham uma verdadeira mãe. Muitos homens, recorrem a bancos de óvulos, realizam uma fecundação “in-vitro”, pagam uma barriga-de-aluguer, e ao fim de 9 meses têm um filho. Estes filhos nunca vão saber quem é a sua mãe biológica, como é claro. Quase surreal, mas é verdade.
Sobre as questões que foram anteriormente apresentadas poderíamos ter um sem número de opiniões. Uns afirmam que estes processos são completamente viáveis e que devem ser realizados promovendo a autonomia de quem os quer realizar. Outros, pelo contrário, acham absurdas todas estas “manobras” genéticas. Eu desta vez nem sequer vou esboçar a minha opinião, o que talvez seja de admirar, mas sinceramente acho que o assunto deve ser pensado por cada um de nós, e só apelo para pensarem bem, e não pensarem apenas nas pessoas que recorrem a este tipo de técnicas, mas também ao novo ser que vai nascer. Sim, porque estamos a falar do nascimento para o mundo de um novo Ser Humano.
Outro assunto que gostaria de referir, e este sim, muito mais polémico é a própria escolha de genes. Isto é, hoje em dia, já é possível escolhermos as características que queremos que o nosso futuro filho tenha. Podemos escolher genes da beleza, ou de capacidades mentais e a partir daí fazer o “nosso filho ideal”, que tem boa probabilidade de no futuro ser um grande jogador de futebol com a inteligência de Freud.
De facto, a ciência, não parece ter limites, e já diz o ditado “quanto mais alto se sobe, maior a queda”, e digo-vos sinceramente que não sei até que ponto toda esta evolução é boa para a espécie humana. De qualquer forma, refiro desde já, que se a cópula vai passar a coisas de gente “antiga”, a selecção natural vai passar a ser mais artificial, visto que o Homem hoje em dia já consegue manipular tudo, até a genética das pessoas que ainda estão para nascer. Talvez daqui a uns anos as pessoas já nasçam para nunca ficarem doentes, mas o contrário também pode acontecer, e de facto, a verdade é que esta “culinária” nos genes pode sair mal e ter proporções graves.
E encerro este meu comentário com um provérbio que todos conhecem: “O futuro, a Deus pertence”.
Tenham boas reflexões.
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1 Comments:
Bom post. Este sim, convida a boas reflexões. Como alguém que não acredita em Deus, sou a favor de todo o tipo de pesquisa científica cujo propósito seja a evolução (e sobrevivência) da raça humana. Nós é que temos que nos safar. Fim.
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